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terça-feira, 19 de maio de 2015

Primeira carta de Cecília Meireles a Fernanda de Castro

"Não tenho o prazer de a conhecer pessoalmente, mas gostei tanto dos seus versos que não resisto à tentação de felicita-la em quatro linhas sinceras. (...)"

Cecília Meireles
Fevereiro de 1930

in DAMASCENO, Darcy. Notas acerca da poesia, da crítica e da correspondência de Cecília Meireles. 26,2,71. 
Arquivo Darcy Damasceno, Seção de Manuscritos da Biblioteca Nacional. Rio de Janeiro, Brasil.

Cecília Meireles e António Ferro

Cecília Meireles, António Ferro e ? (s.d)

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Quem pudera, Cecília!


Tenho fome de campo e de verdura,
De terra bem lavrada,
E sede, muita sede de água pura.


Quero pegar no cabo de uma enxada,
Quero cheirar os troncos e as raízes,
Pisar, descalça, a terra ainda molhada,
Ver, nas noites, o rasto das perdizes.


Já Cecília Meireles o dizia,
Com imenso carinho:
“Portugal não tem campo, tem campinho.”
E ria, ria,
Rasgando as mãos nas silvas,
Comendo amoras, colhendo malmequeres, madressilvas.


Tinhas razão, Cecília.
Em Portugal, as estações são festas,
São festas de família,
Enfiadas, colares de alegrias;
Na Primavera as flores;
Os frutos no Verão, e as romarias;
No Outono o vinho novo e o ritual
Profano das vindimas;
No Inverno,
A mística alegria do Natal,
As portas bem fechadas,
A lenha a crepitar
E as rabanadas.


Quem pudera, Cecília, quem pudera,
Mandar-te para lá, para onde estás,
Um raminho da nossa Primavera.

Fernanda de Castro

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Cecília Meireles em Portugal


"O comboio Lisboa-Porto sairia muito cedo, era preciso estar na gare das sete. Deixar o doce convívio com os amigos de Lisboa, interromper aqueles dias felizes, e partir rumo ao Norte. Fernando decidira que deveriam passar duas semanas junto à família dele, no casarão da Penajóia.

[...] A despedida havia sido na véspera. Em casa de Fernanda de Castro. Sim, na volta a Lisboa, para as conferencia, gostaria de ter afinal um encontro com aquele poeta extraordinário que ainda não conseguira avistar: Fernando Pessoa. No Brasil, o marido lhe falara tanto sobre ele... E os poemas dele a que já conseguira ter acesso, publicados em algumas revistas portuguesas que recebiam em casa, haviam mostrado que Pessoa descobrira novos caminhos para a poesia.

[...]‘'Não podemos nos demorar muito mais, deixamos três crianças num colégio', avisara a Fernanda de Castro. Eram as filhas Maria Elvira, Maria Mathilde e Maria Fernanda, que, na ausência de parentes no Rio, haviam ficado em um Colégio de Copacabana. Contudo, a viagem de António Ferro à Itália e à Alemanha provocaria o adiamento das conferências para o segundo período da temporada em Lisboa. De facto, elas só puderam se realizar em Dezembro."

Leila V. B. Gouvêa
Cecília Em Portugal, Editora Iluminuras , 2001, p. 47.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Carta de Cecília Meireles sobre o suicídio do marido

"A Fernanda de Castro escreveu-me muito aflita e falou-me em publicar um livro meu. Não sei que livro é. Parece-me que a sua intenção seria facilitar-me recursos de qualquer espécie, calculando as minhas dificuldades. E agradeco-lhe muito." A carta pode ser lida aqui.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Cecília Meireles sobre Fernanda de Castro

"Tenho uma amiga esperando-me no Estoril. É a poetisa Fernanda de Castro. [...] Uma criatura encantadora, [...] com o mesmo tóxico que eu tenho no sangue do espírito: deslumbramento pela selva e pelo oceano, loucura pelo sol [...], fome do infinito."

De uma carta de Cecília Meireles a Fernando de Azevedo, in Cecília em Portugal (Iluminuras, 2001) de Leila V.B. Gouvêa

sábado, 17 de novembro de 2007

Minha querida Cecília


"Minha querida Cecília: 

Tenho pensado em ti estes últimos tempos que isto quer dizer com certeza qualquer coisa. Quer dizer, pelo menos, que estás a reclamar, a chamar-me coisas feias, a dizer que sou preguiçosa, ingrata, volúvel, coisas que sabes perfeitamente injustas. A verdade, a verdadinha é que tu sempre foste uma criatura metódica, arrumadinha, com horas para tudo - até para não fazer nada - e eu continuo um bicho selvagem que funciona por entusiasmos, por impulsos, por emoções, em suma uma pessoa que nunca teve relógio, deita fora os calendários, que é capaz de trabalhar horas a fio mas incapaz de trabalhar seja no que for, meia hora por dia à mesma hora. Não te lembras do que disse o Johan Bojer naquele dia em que fomos passear ao campo? 
- "Você Cecília, tem mais calor, e você Fernanda, mais fogo!" Questão de signos talvez, mas a verdade é que a minha suposta inconstância era apenas a natural reacção à tua desesperante regularidade. por exemplo tu escrevias-me um cartão com meia dúzia de linhas e eu respondia-te, se estava de maré, com uma carta de seis páginas em que te dizia tudo o que se podia dizer e em que tu, espertinha como és, lias tudo o que se não diz, todo o indizível (...)"

Fernanda de Castro
«Cartas para além do Tempo», pp.43-49.
(Europress, 1990)