terça-feira, 3 de junho de 2008

Já não vivo, só penso

"Já não vivo, só penso. E o pensamento
é uma teia confusa, complicada,
uma renda subtil feita de nada:
de nuvens, de crepúsculos, de vento.

Tudo é silêncio. O arco-íris é cinzento,
e eu cada vez mais vaga, mais alheada.
Percorro o céu e a terra aqui sentada,
sem uma voz, um olhar, um movimento.

Terei morrido já sem o saber?
Seria bom mas não, não pode ser,
ainda me sinto presa por mil laços,

ainda sinto na pele o sol e a lua,
ouço a chuva cair na minha rua,
e a vida ainda me aperta nos seus braços."

Fernanda de Castro, «E eu saudosa, saudosa»

2 comentários:

lupussignatus disse...

abraçar

o

crepúsculo

Alexandre Bonafim disse...

Poema de vibrante encantamento, na qual a expressão da alma atinge as funduras inomináveis da palavra.